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Era uma vez.....

 

Nos confins da história a mais de dois milênios um sábio estrategista nos apresenta sua reflexão: O método certo com o homem errado, sempre fracassará, o homem correto que aplica o método errado, poderá ter sucesso; o homem correto com o método certo, vencerá sempre.

 

O tema da Estratégia tem sido tratado nas mais variadas áreas da atividade humana. Desde a antiguidade foi consagrada como a ciência e arte empíricas de comando dos exércitos e que exigia dos estrategas as melhores habilidades e conhecimento sobre literalmente tudo que pudesse influenciar no resultado de uma batalha, garantindo a vitória sobre os exércitos inimigos.  

 

Com o tempo a Estratégia foi sendo preenchida com conhecimento técnicos cada vez mais elaborados e transcendendo a esfera militar passando por uma série de adaptações, chega ao que hoje é o centro de nossa atividade produtiva humana, a atividade empresarial. 

 

Sim, houve o tempo em que os povos foram conduzidos e influenciados em sua cultura e forma de vida pelos reinados e seus exércitos, outros momentos pelos religiosos, depois pelos estadistas com seus ideais positivistas, iluministas e libertários como reação ao totalitarismo quando da perda dos valores e virtudes dos seus governantes.

 

O tempo atual é diferente, porém não tanto, para gerar algo completamente inédito.  Somos os mesmos seres humanos, que precisamos seguir algum formato. E se estes formalismos não são mais oferecidos pelas crenças religiosas, pela admiração aos reis e a nobreza, pelo sentido de desbravar novas terras como foram os colonizadores que deram origem as republicas modernas.

 

Durante todo este tempo, de forma silenciosa, mas tremendamente influente, a atividade empresarial se fez presente e se desenvolveu. Desde as primeiras corporações de ofício, empresas de navegação, onde famílias inteiras trabalhavam criando artefatos e atendendo suas comunidades, até as modernas empresas da atualidade,  as organizações privadas tem evoluído. O que ressalta que a cultura no mundo tem sido desenvolvida de várias formas diferentes de acordo ao poder vigente em cada época e em cada local.  

 

E a cultura hoje é empresarial. Vivemos a maior parte do nosso tempo envolvidos com a atividade profissional e isso é um fator cultural importantíssimo.

As empresas hoje geram cultura, conduzem os povos a um maior ou menor desenvolvimento, são o motivo de alegria e tristeza da maior parte das pessoas que vivem em função de sua profissão e conduzem suas vidas pessoas de acordo ao que suas carreiras definem.

 

No Brasil arrisco chutar que nossas maiores ocupações mentais pela ordem são: negócios, futebol e as novelas. E claro que o tema atual dos escândalos de corrupção tem grande relevância.

 

A atividade empresarial é hoje o assunto mais relevante na sociedade, e o desenvolvimento dela está diretamente ligado a Estratégia.  Todos os negócios precisam ser conduzidos. E seu desempenho depende disso. Uma empresa hoje é uma atividade universal, completa e sistêmica.

 

TUDO que você possa imaginar acontece dentro de uma empresa! E tudo que você ainda não imaginou também acontecerá um dia! Nossas empresas são organismos vivos, que nascem crescem evoluem e também morrem! E se não morrem, se reinventam, que para a filosofia estratégica, dá no mesmo.

 

Esta dinâmica e extensão de processos que uma empresa pode abarcar tem sido o tema desafiador para os Estrategistas.

 

Planejamento estratégico elaborando visão, missão, objetivos, análise de todos os fatores necessários para definir planos de ação e desenvolvimento, ambientais externos, estratégias de marketing, posicionamento de mercado, evolução de produtos e serviços, análise de tendências. Gerenciamento de riscos,  estratégias para gerenciar processos internos e externos, etc...

 

Não há praticamente nada que não se tenha criado ou implementado em nome da estratégia que é o gerenciamento inteligente das organizações corporativas, principalmente nos últimos 50 anos quando as empresas começaram em definitivo a assumir seu posto de poder hegemônico no mundo, ditando cultura e forma de vida.

 

Porém, os desafios parecem a cada dia maiores! E onde está o limite para a organização dos processos senão nas pessoas que precisam colocar isso em prática?

 

Capacitamos as pessoas para dominar uma centena de técnicas, procedimentos e parâmetros em nossas organizações, para que tenhamos maior eficiência nos processos e eficácia no resultado.  Porém o elemento humano, que é o cérebro responsável por mover este organismo? Em que condição se apresenta?

 

Temos uma preocupação compulsiva em controlar todos os processos e variáveis e acreditamos que o fator humano é aleatório e sua única forma de balizamento é a experiência e o talento. Há os que sabem e tem dedos para o piano e por isso mandam e há os que não sabem e portanto devem obedecer.

 

Porém Sêneca, grande sábio romano e portanto grande estrategista, nos diz que na natureza existem dois tipos de coisas. As que dependem de nós e as que não dependem.

 

Minha reflexão constata que temos colocado uma enorme energia em processos, buscando controlar elementos que são circunstanciais, temporais e por vezes aleatórios e que não respondem a nossa vontade. Esquecemos de dedicar mais inteligência nos processos formativos e de treinamento daqueles que vão conduzir este organismo não importando se navegaremos por mares bravios e tempestuosos ou por mansas águas em suave brisa. Não importa se temos talento, melhor se assim o for! Porém, é fundamental garantir que a educação estratégica seja elemento chave para a formação de um bom líder.

 

 

Fabiano Camilo