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Para criar algo, necessitamos de uma determinada matéria-prima, um motor, algo que nos forneça a energia e os recursos necessários para realiza-lo. Ou, ao menos, que facilite essa realização.

 

Chamaremos isso aqui de “capital”. O exemplo mais evidente é o capital financeiro, ou seja, um montante de dinheiro que nos permita empreender determinado projeto, como comprar alguma coisa. Mas podemos mencionar também, por exemplo, o capital intelectual, isto é, o conhecimento que propicia a produção de algo, seja uma peça de crochê, dirigir um carro ou dar uma aula. Todas essas coisas necessitam de recursos, de capital, seja intelectual ou financeiro. Mas há ainda o capital social, que, seguindo a mesma lógica, diz respeito aos recursos em relações sociais que dispomos para realizar coisas. Pra fazer crochê, por exemplo, é necessário ter novelos de lã e o conhecimento para fazê-lo, mas talvez também possa ser interessante o contato com pessoas para compartilhar suas peças de roupa, ou mesmo para vende-las.

 

Nosso capital, portanto, são os recursos que dispomos - dos mais variados tipos. Dentro dessa linha, surgiu há pouco tempo dentro da Psicologia Positiva o conceito do capital psicológico (PsyCap), ou seja, justamente os recursos psicológicos que nos permitem realizar as coisas – em especial, a resiliência, a autoeficácia, o otimismo e a esperança. Para, por exemplo, aprender a dirigir um carro, além dos necessários meios financeiros para pagar uma carteira de motorista, das habilidades sociais para lidar com o instrutor e da essencial predisposição para aprender, qualidades psicológicas como paciência, atenção e concentração são tão indispensáveis quanto.

 

Ao contrário dos outros capitais, entretanto, os recursos psicológicos não necessitam tanto de meios externos a nós mesmos para serem desenvolvidos. Tal como o desenvolvimento dos músculos através da atividade física, nossos “músculos psicológicos” podem ser desenvolvidos através de “atividades” psicológicas. Quando há uma tensão correta nessas atividades (o stretch, da Psicologia Positiva), assim como levantar o peso correto em uma academia, estamos nos exercitando e aumentando nosso capital psicológico - tal como se estivéssemos ganhando dinheiro, em uma perspectiva financeira.

 

O capital psicológico não apenas promove vantagens ao indivíduo que o desenvolve, mas a todo tipo de organização ou coletivos que ele pertença, incluindo, portanto, as empresas. Em uma recente pesquisa da Endeavor a respeito dos maiores desafios das empresas, em que responderam inúmeros empreendedores do Brasil, a Gestão de Pessoas aparece em primeiro lugar - em especial no que diz respeito à capacitação de equipe e ao desenvolvimento de lideranças. Em paralelo, uma pesquisa realizada pela McKinsey envolvendo nove países – Alemanha, Índia, México, Marrocos, Arábia Saudita, Turquia, Reino Unido, Estados Unidos e Brasil – mostrou um cenário de crise, em que de um lado há uma ampla gama de jovens desempregados, e de outro uma escassez de talentos e competências – estas não só no sentido técnico, mas também comportamental.

 

A relevância em desenvolver o capital psicológico é, portanto, essencial. Entretanto, à primeira vista pode parecer subjetivo demais e imensurável. A verdade é que, com os instrumentos corretos, é possível constatar uma mudança ou não após alguma ação – seja no âmbito do indivíduo ou da empresa.

 

Como está seu capital psicológico? Terminamos o texto com essa reflexão. Você tem exercitado seus recursos de paciência, da autoeficácia, da resiliência, da esperança, do otimismo? Enriqueça seu capital psicológico, pois o mundo o demanda.

 

Rodolfo Dall'Agno