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Entrevista realizada para a Revista Sindigêneros de Canoas/RS, edição Julho/Agosto de 2017

confira a edição

 

Para Fabiano Basso, especialista em Qualidade de Vida no Trabalho, as empresas têm de acompanhar de perto os indicadores de saúde, bem-estar, desempenho e perspectivas de seus colaboradores, sem deixar de promover ações para capacitação, desenvolvimento e integração. Palestrante com mestrado em Educação Física, Basso é diretor da Empresa Viva, que atua na promoção do bem-estar físico e equilíbrio do ser humano nas organizações. A seguir, a entrevista com o especialista: 

 

Informativo Sindigêneros - Qual a contribuição da qualidade de vida no trabalho para a retenção de talentos? 

 

Fabiano Basso - Quando falamos de qualidade de vida no trabalho é importante contextualizar que estamos falando de vida. Uma vida com qualidade é bem diferente de uma existência de longos anos, ou seja, é quando o indivíduo sabe o seu papel neste mundo ou busca compreendê-lo melhor. Uma das áreas da vida é o trabalho, onde a pessoa se descobre e se transforma, oferecendo algo à sociedade. Assim, para que as organizações retenham seus talentos, é necessário oferecer um propósito bem sólido que esteja alinhado com o propósito desses talentos. Para isso, é importante fortalecer a confiança, ter uma comunicação multilateral clara e fazer com que o talento se sinta cocriador do seu trabalho.

 

Informativo Sindigêneros - Que fatores interferem na qualidade de vida no trabalho? 

 

Basso - Existem muitos indicadores que podemos monitorar para o acompanhamento da qualidade de vida no trabalho. Dá para mensurar em três dimensões. Na dimensão individual, temos indicadores de saúde e bem-estar, desde a saúde dita física, a social e a mental. Na dimensão organizacional, temos produtividade pessoal, turnover (rotatividade), absenteísmo, presenteísmo e clima organizacional. E na dimensão que mistura as outras duas temos seleção, desenvolvimento, remuneração, lideran- ça, benefícios, segurança e condições de trabalho. Ou seja, muitos fatores possibilitam uma ou várias interferências na qualidade de vida no trabalho.

 

Informativo Sindigêneros - Que soluções as empresas podem propor para trazer bem-estar e satisfação a seus colaboradores? 

 

Basso - Que as empresas entendam que há uma necessidade de respeitar e monitorar sistematicamente os indicadores. Uma empresa sadia é composta de riqueza e de pessoas sadias. As empresas longevas já captaram isso. Assim, é necessário promover o desenvolvimento humano por meio de palestras de sensibilização, cursos e workshops, consultorias de desenvolvimento organizacional e programas de qualidade de vida no trabalho, especialmente de preparação para a aposentadoria, visto que a reforma da Previdência tem tirado algumas horas de sono de muito colaboradores. 

 

Informativo Sindigêneros - Qual o impacto disso para a produtividade e a competitividade da empresa?

 

Basso - O impacto será profundo e duradouro. Para a produtividade, vamos ter colaboradores mais engajados, mais confiantes, mais realizados, que não estão ali somente pelo salário. Em 2003, uma pesquisa da Catho revelou que os brasileiros valorizam mais ter bom relacionamento no  trabalho, ser reconhecidos como bons profissionais e fazer o que gostam do que o salário ou acúmulo de riquezas. Já na competividade, depende muito do ramo, mas em geral resulta no comprometimento para a entrega de um serviço ou produto de melhor qualidade ao cliente, que não pode ser esquecido. Aliás, o cliente é calcanhar de Aquiles de muitas organizações, que invariavelmente se esquecem dele em seus planejamentos.